Paulo Ramos protocola representação no MPF-RJ para investigar elaboração do plano de socorro às grandes empresas em dificuldades na pandemia

O deputado federal Paulo Ramos (PDT-RJ) entrou com representação, no Ministério Público Federal-RJ (MPF), para que seja investigada a não participação do grupo técnico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na elaboração do plano de socorro às grandes empresas em dificuldades devido à pandemia do coronavírus. O documento solicita, ainda, apurar possível conflito de interesses na duplicidade de papéis desempenhados, simultaneamente, por Marcelo Serfaty, ex-sócio do ministro da Economia, Paulo Guedes, e indicado por ele como presidente do Conselho do BNDES e como Coordenador do aglomerado de bancos comerciais.

De acordo com o parlamentar, o BNDES elabora, de maneira inédita, um plano de socorro às grandes empresas dos setores automobilísticos, aéreo, varejista e de energia. A ideia é coordenar um aglomerado de bancos comerciais para o socorro às empresas com dificuldades por conta da pandemia. O plano prevê “operações combinadas” com emissão de debêntures conversíveis em ações, “warrants” (opção de compra de ações associadas a emissões de títulos privados), alongamento de dívidas e novos empréstimos. Os setores contemplados, em princípio, serão os de companhias aéreas, elétricas, indústria, automotivas e grandes varejistas não alimentícia.

O que causa perplexidade, esclarece Paulo Ramos, é que essa elaboração parece não ter a participação do corpo técnico do BNDES. “Além disso, o mentor do programa é o presidente do conselho do BNDES, Marcelo Serfaty, que, conforme informações apuradas, seria ex-sócio de Paulo Guedes no BTG Pactual. Serfaty é o responsável pelo aglomerado dos bancos, composto por Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil e investidores institucionais, que irão prestar socorro aos quatro setores. Portanto, no mínimo, há um possível conflito de interesses, na duplicidade de funções desempenhadas por Marcelo Serfaty”, avalia o deputado.

Paulo Ramos questiona ainda que a montagem do aglomerado de bancos ter sido articulada pelo presidente do BNDES, Gustavo Montezano, filho de Roberto Montezano, ex-sócio de Guedes no IBMEC.

Banco do Brasil

Serfaty é ex-conselheiro do Banco do Brasil também indicado pelo ministro Paulo Guedes. Na ocasião, a Associação Nacional dos funcionários do BB entrou com representação na Comissão de Valores Mobiliários, alegando que o nome representava conflito de interesse por ser indicação de um conselheiro do mercado. Serfaty é sócio-fundador do fundo de private equity e da empresa G5 Partners.

Operação Greenfield

Importante destacar que o ministro Paulo Guedes é investigado pela Operação Greenfield, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal do Distrito Federal, que investiga desvio de recursos em investimentos feitos pelo BNDESPar.

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