Deputado propõe CPI para investigar atuação de empresa suíça na espionagem de órgãos e instituições brasileiras

O deputado federal Paulo Ramos (PDT-RJ) apresentou requerimento para criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com a finalidade de investigar a atuação da empresa suíça Crypto AG no Brasil e a utilização de suas máquinas de criptografia de comunicações para espionar órgãos públicos e instituições brasileiras. A empresa, desde a década de 1950, fornece aparelhos de criptografia para 120 países, inclusive o Brasil, sem nunca revelar que tinha vínculo com Agência Central de Inteligência (CIA), informação divulgada pelo jornal O Globo. Em fevereiro deste ano, o jornal Washington Post publicou reportagem do jornalista Greg Miller, correspondente de segurança nacional, em que revelou como a empresa suíça, a princípio privada, passou para o controle da CIA e do Serviço Federal de Inteligência (BND), homóloga alemã.

O parlamentar explica que os aparelhos deveriam garantir que a comunicação entre os órgãos públicos desses países, incluídas as Forças Armadas, fosse segura e livre da interferência de nações estrangeiras. “O que a reportagem revelou foi que essas comunicações eram monitoradas pelos serviços secretos dos Estados Unidos e da Alemanha. No Brasil, a Marinha, o Exército e o Itamaraty são clientes da empresa. Até 23 de novembro, conforme publicou O Globo, a Marinha não informou se suspenderia ou não o uso dos equipamentos. Produtos adquiridos para equipar submarinos, um dos maiores projetos militares brasileiros, tinha suas comunicações pretensamente criptografadas por equipamentos da Crypto AG, comprados entre 2014 e 2019. Em virtude da falha de segurança, nossos submarinos ficam expostos a ataques e ao monitoramento estrangeiros, o que fragiliza nossa posição no Atlântico Sul, região de grande interesse geopolítico, e mesmo nossa capacidade de proteger as reservas do pré-sal”, analisa Paulo Ramos.

Para Paulo Ramos, a quebra da segurança na troca de mensagens não beneficiava apenas os EUA e a Alemanha, mas também aliados mais próximos. Durante a Guerra das Malvinas, comunicações secretas entre forças militares argentinas foram decifradas pelas forças britânicas, em virtude da colaboração dos governos Reagan, nos EUA, e Tatcher, no Reino Unido. “A fragilidade das forças militares e da diplomacia brasileiras amplia-se. Entre nossos interesses e os próprios ou de aliados, seremos preteridos. Precisamos descobrir o alcance dessa espionagem e se houve participação voluntária de brasileiros. Precisamos entender os danos que foram feitos à nossa segurança nacional e à nossa soberania, pois só assim este Parlamento poderá elaborar os remédios legais necessários”, avalia o deputado.

Com a instalação, a CPI será composta por 31 membros e igual número de suplentes.

>>> Documento da Instalação da CPI <<<

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