Como surgiu a ADI contra a lei dos salários dos militares, bastidores da tramitação do projeto dos generais em 2019 e perspectivas políticas para a família militar carioca

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Entrevista para a Sociedade Militar

“Você não pode, a partir da pressão hierárquica, da arbitrariedade, não só privar de direitos, mas impossibilitar a reivindicação…”

Conversamos com o deputado federal Paulo Ramos em seu gabinete no centro do Rio de Janeiro nessa manhã de sexta-feira. Extremamente gentil, o parlamentar que previu ainda em 2019 todos os problemas enfrentados pela família militar dos estados, falou sobre a força que hoje possui a máquina política militar, sobre os horizontes políticos para os militares das Forças Armadas e – de quebra – nos revelou que não vai concorrer em 2022 à reeleição para o cargo de deputado federal.

A conversa levantou questões interessantes e começou com um questionamento sobre os motivos de Jair Bolsonaro em nenhum momento durante a tramitação da reestruturação das carreiras dos militares, ter dado ouvido à tropa, que o sustentou politicamente desde quando era um oficial da ativa e concorreu ao cargo de vereador na cidade do Rio de Janeiro.

Durante a conversa o deputado Paulo Ramos revelou algo que poucos sabem, que ele foi aquele que introduziu na carta magna direitos hoje muito caros para os militares, como a PARIDADE e a INTEGRALIDADE, quando entre os constituintes convocados em 1985 somente havia 5 militares.

Algumas perguntas, que durante o bate-papo podem ter sido feitas em um formato diferente.

1 – Deputado, ainda antes da apresentação do então PL1645 ao Congresso Nacional a Revista Sociedade Militar publicou uma prévia do texto, isso explodiu nas redes sociais e chegaram muitas reclamações até o presidente, que estava fora do país e acabou gravando um vídeo dizendo que ia ser justo na reestruturação. Essa foi a primeira e última vez que o presidente falou sobre o assunto durante a tramitação.

O senhor acredita que ele, que desde o início do mandato tem generais como auxiliares, foi pressionado pela cúpula das Forças Armadas a não se manifestar mais sobre o assunto?

Lembrando aqui que sempre pesou sobre o presidente a acusação de “sindicalista militar”

2- Recentemente, no conhecido “cercadinho”, o PRESIDENTE deu duas respostas bem duras para militares e ex-militares das Forças Armadas. O senhor viu as imagens?

3 – Desde a reclamação de graduados, que mencionei na primeira pergunta, uma série de ações das Forças Armadas visando desestimular a movimentação política dos militares de baixa patente. Uma que foi extremamente eficaz, mas que chamou pouco a atenção da grande mídia, que não entende muito bem desse tema, foram as notas publicadas pelas forças armadas ainda no início da tramitação desse projeto de lei… informando que seria proibido que militares se manifestassem de forma coletiva, quando na verdade a lei deixa bem claro que militares na reserva têm esse direito.

4- O relator do projeto de lei admitiu da mesa que foi escolhido pelos comandantes das Forças Armadas, há uma assessoria parlamentar das Forças Armadas implantada dentro do Congresso Nacional. O senhor acha que isso torna a disputa desigual quando envolve direitos da cúpula e da base das Forças Armadas, isso deveria ser revisto?

5 – Aqui no Rio a família militar ligada às Forças Armadas é bastante significativa, cerca de 280 mil. Muitos aumentam esse número, dizem que o círculo de influência multiplica isso por 2, 3, 5.. Contudo, historicamente a categoria, desde os anos 60, não emplaca um representante nato, um representante da massa militar, alguém que sentiu na pele os verdadeiros problemas… Há, principalmente depois de Bolsonaro, uma lacuna… e a categoria não possui associações fortes que se debruçam sobre questões políticas. O senhor enxerga esse momento político como uma guinada no quesito representação política dos militares das Forças Armadas?

“… na medida em que você vai se destacando na luta, você passa a representar uma possibilidade, não pode ter um artificialismo…” Paulo Ramos…

Durante a conversa o parlamentar revelou algo que poucos sabem, que ele foi aquele que introduziu na carta magna direitos hoje muito caros para os militares, como o 13º dos militares, a PARIDADE e a INTEGRALIDADE, quando entre os constituintes convocados em 1985 somente havia 5 militares.

Ouça a entrevista

O bate papo com o deputado Paulo Ramos, durante um café da manhã, foi inicialmente planejado para gerar uma entrevista transcrita. Portanto, não houve extrema preocupação em gravar um som de alta qualidade. Todavia, posteriormente decidimos publicar o áudio. Pedimos, portanto, desculpas pela baixa qualidade do áudio, os microfones acabaram captando o som de um aparelho nas proximidades. Mas, o conteúdo é de grande valia para aqueles que perseguem a verdade sobre as questões militares tanto da atualidade como do passado.

Fonte: Site da Sociedade Militar

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